A ergonomia como avaliadora dos fatores de risco:

O fator de risco para o adoecimento no trabalho é definido como um aspecto de comportamento pessoal ou estilo de vida, ou uma característica inata ou herdada que; tendo por base evidências epidemiológicas, é conhecida por ser associado com problemas de saúde (no caso das Doenças Ocupacionais).
O termo fator de risco é usado bastante livremente, com quaisquer dos significados seguintes:

• Um atributo ou exposição que é associado com um aumento na probabilidade de um resultado especificado, como a ocorrência de uma doença. Não necessariamente um fator causal, ou seja, um marcador de risco. Um atributo ou exposição que aumentam a probabilidade de ocorrência de doença ou outro resultado especificado, ou seja, um determinante.

• Utilizando, portanto a linguagem da ergonomia;

Os fatores de risco são definidos com base em estudos empíricos ou epidemiológicos que, numa situação especifica, em dependência da sua importância relativa, podem assumir papeis de condicionantes ou determinantes, saber-se que o fator está presente significa reconhecer que ele atua no sentido do aumento da probabilidade e na sua ausência referendar a inexistência de nexo entre o adoecer a atividade laboral desenvolvida.

O risco ergonômico pode ser quantificado com a utilização de protocolos, questionários e check lists realizados durante avaliações em campo precisas.

Quanto mais refinado é um protocolo, mais o especifico se torna, isolando uma variável e detalhando a sua análise.

No caso das DORT em especifico, a multicausalidade e a interdependência dos fatores indicam que o determinante está na situação e não num fator especifico.

As variáveis:

A dimensão do posto de trabalho pode forçar os indivíduos a adotarem posturas ou métodos de trabalho que causam ou agravam as lesões osteomusculares;

A pressão mecânica localizada é provocada pelo contato físico de cantos retos ou pontiagudos de um objeto ou ferramenta com tecidos e trajetos nervosos;

As posturas inadequadas com limites da amplitude articular, a força da gravidade oferecendo uma carga suplementar sobre articulações e músculos, as lesões mecânica sobre os diferentes tecidos;

A invariabilidade da tarefa monotonia fisiológica e/ou psicológica;

As exigências cognitivas causando um aumento de tensão muscular ou uma reação mais generalizada de estresse.

A presença de pausas referente à refeição. Pausas voluntárias (ex.ir ao banheiro) e micro pausas dentro do próprio ciclo de trabalho avaliado

Os fatores psicossociais são as percepções subjetivas que o trabalhador tem dos fatores de organização do trabalho.

A análise ergonômica coloca em evidência que as tarefas são variáveis ao longo da jornada de trabalho e que o individuo, ele mesmo, é submetido às variações do seu estado interno, por exemplo, o ciclo vigília-sono, os efeitos do avançar em idade, história pregressa, a sua personalidade, a sua maneira de se comportar face aos imprevistos, etc.

Por isso os fatores de risco devem ser avaliados no contexto organizacional onde o trabalhador está inserido.

Só os resultados dos estudos ergonômicos permitem afirmar sobre a ação da carga de trabalho e o desencadeamento das doenças ocupacionais.

Os analistas de métodos e tempos e os responsáveis por estabelecer parâmetros de produtividade podem ser mensurados de forma científica, através da avaliação do tempo em que o trabalhador efetivamente está em atividade.

Do tempo total da jornada, são abatidas as pausas regulares, pausas curtíssimas e tempo envolvido em atividades de baixa exigência ergonômica.

Há um acordo na literatura sobre Tempos e Métodos que deve ser considerado um tempo de 5% da jornada para necessidades pessoais. Além disso, segundo a prescrição da Organização Internacional do Trabalho, deve ser considerada uma porcentagem de 4% como fator básico de recuperação de fadiga. Assim, num aproveitamento ótimo da mão-de-obra, teríamos uma taxa de ocupação de 91%, que é um índice extremamente confiável para garantir a inexistência de sobrecarga de trabalho.

Em resumo, a única forma científica de comprovar o nexo trabalhista entre a doença e atividade é através da ergonomia.


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